terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Lentamente se inicia uma nova jornada
Lentamente abro os olhos e suavemente ouço vozes ao longe. Ao longe também ouço movimentação de aflitos suspiros por se saber o que aconteceu. Há tantos em minha volta, há poucos me ajudando. Curiosos se atumultuam em busca de informações imprecisas para as fofocas diárias de mentes ávidas de desgraça. Ouço meu nome ser chamado. Não reconheço mais os tons vocálicos. Tudo se passa como deformações de tempo-espaço estateladas no chão de asfalto fumegantemente ensolarado a pino. Desespero para alguém que grita para chamarem profissionais aptos a verem meu estado imovelmente ensanguentado. Não entendo. Não consigo entender. Pessoas. Luzes. Irrealidade. Sonho. Quentura que me assa a espádua estirada. Dor é algo que não sinto. Não sinto, aliás, nada além do ardor de minha carne cortada. Não sinto meus pés. Não sinto minhas pernas. Não sinto minhas mãos. Não sinto meus braços. Não sinto minha cabeça... E a partir daqui, tudo se tornou sem sentido. O que acontecerá agora comigo?
Assinar:
Comentários (Atom)